quarta-feira, outubro 15, 2008

Alice no País das Maravilhas

A história da verdadeira Alice

Inglaterra vitoriana. No ano de 1832 nasce Charles Lutwidge Dodgson, rapaz tímido e exímio nas ciências exatas, tornou-se ainda aos 24 anos professor de matemática da Christ Church, uma escola seminarista de Oxford. Lá conheceu Henry Liddell, pai de Alice Liddell, garotinha de 10 anos que o deixou encantado.

Vamos recapitular os fatos: O cara tem 24 anos, é professor de matemática, seminarista anglo-saxão e se encantou por uma garotinha de 10 anos com quem costumava ter passeios a barco? SIM! O cara era o maior pedófilo! Safado! Michael Jackson do século XIX!

E esqueci-me de citar um pequeno detalhe: Ele tinha o singelo hábito de fotografar Alice e suas irmãs (de oito e treze anos) nuas... Sim, isso mesmo.

(...)

PORRA! Se eu encontrasse esse salafrário no meio da rua eu dava-lhe uma cipuada e trancaria ele em uma casa com Hayley Stark! Esse cara merece ser arrombado pelo Michael Clarke Duncan! E se você não o conhece é esse cara aqui!

Ah, claro, citei os passeios a barco. Foi em um deles que ele contou uma história para a jovem Alice. Era um dia bastante ensolarado e eles encostaram o barco e foram para a sombra mais próxima no leito do lago. (...) Okay, eles foram para o matinho. A jovem Alice gostou tanto da história que pediu um manuscrito dela, e o sempre atencioso seminarista deu de presente de natal. Pena que a senhora Liddell passou a proibir os encontros entre os dois.

DEUS! TINHA ALGUÉM RACIONAL NAQUELE TEMPO!

Enfim. Antes que eu roube a máquina do tempo de Alexander Hartlegen e volte no tempo para dar uma surra de pica molhada nesse sem-vergonha, vamos ao filme:

O Filme

Isso nos lembra algo? Sim, é a primeira cena do filme. Nela Alice está estudando história com sua irmã mais velha e está entediada; garanto que se fosse com um pedófilo devasso ela estaria mais animada, não é? Ela também não me engana.

Inconformada com esse lugar onde vários livros não possuem gravuras ela sonha com um mundo onde tudo seria o contrário do que é. O que não é, seria; e o que é, não seria.

Essa é a introdução de Lewis Carroll (pseudônimo do safado) para a literatura do nonsense, palavra sem tradução ideal, que denota o inverso do real, mas sem deixar de ser racional. Viagem? Apertem os cintos, porque é só o começo.

Um mundo de ponta cabeça

Um coelho branco apressado chama a atenção de Alice, que vai atrás dele. Essa metáfora permite um leque de interpretações: Seria o coelho uma representação da fertilidade e sua busca um sinal de que Alice está entrando na puberdade? O coelho é um simbolismo do tempo, aquele ao qual nós corremos atrás constantemente sem nunca alcançarmos? Ou ainda uma alegoria da nossa busca insana pela racionalidade que não existe nesse mundo irracional? Partindo de quem partiu chutaria a primeira opção, mas não posso descartar a possibilidade de Alice ser um Matrix Vitoriano ou uma Chapeuzinho Vermelho moderna.

No mundo das maravilhas Alice encontra a residência do nonsense, nada aqui tem uma lógica definida, tudo é plausível e até mesmo normal para seus moradores. Neste mundo ela se depara com vários personagens isolados com experiências e comportamento singulares, ligados todos pela dinâmica narrativa da viagem de Alice. Como o pássaro intelectual Dodô, um trocadilho com o nome do autor e seu problema de gagueira; o lagarto com uma escada, que passou no lugar errado e na hora errada; ou ainda o jardim de rosas cantantes e os gêmeos idealistas Tweedledee e Tweedledum (tanto o jardim como os gêmeos apareceram apenas no livro “Alice através do espelho”, sequência do primeiro livro); portas falantes; e diversos biscoitos, cogumelos e líquidos que fazem Alice crescer e encolher – um retrato da instabilidade de sua idade?

Filosofia existencialista à base de narguilé

- Quem é você?
- Eu... eu... no momento não sei, minha senhora... pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então. (...) Receio não poder expressar mais claramente pois, para começo de conversa, não entendo a mim mesma.

Esse é um trecho bastante significativo da obra, a conversa com a lagarta lombrada, eu sei que lendo isso pode parecer até muito estranho, mas estamos falando de Alice!

Após uma série de mudanças de ambiente, de companhia e até mesmo de tamanho Alice já não mais sabe o que deve considerar real e o que não deve. Uma situação parecida à de quando Morpheus disse a Neo: “Imagine, Neo, que você foi dormir e teve um sonho. Agora imagine que você jamais acordou desse sonho, como saberia o que é real?”

Nesse ponto Alice não mais sabia quem era. Não era por menos! Estava em um mundo onde todos seus conceitos de racionalidade e plausibilidade foram quebrados, ela não sabia se poderia também confiar em si mesma, na sua existência. Talvez mais uma metáfora da transição do mundo infantil para o mundo adulto que Alice enfrentava aos dez anos; ou ainda uma crítica à nossa sociedade inundada por métodos e objetivos que não se dá ao trabalho de parar para pensar o que é isso tudo que está fazendo. Segue um trecho do livro Alice Através do Espelho:

- Ele está sonhando agora - disse Tweedledee - e sabe sobre o que ele está sonhando?
Alice disse - Ninguém pode saber isso.
- Ora sobre você! - exclamou Tweedledee, batendo palmas com triunfo - E se ele parasse de sonhar sobre você, aonde você imagina que estaria?
- Aonde eu estou agora, é claro - disse Alice.
- Você não! - retrucou Tweedledee com desprezo - Você estaria em lugar nenhum. Ora, você não passa de uma coisa no sonho dele.

O gato de Cheshire

Cheshire, para quem não sabe, é o nome da cidade onde o Lewis Carroll nasceu. E este é aquele com listras roxas e rosas que no filme é denominado “Meste Gato”.

O Gato atua como se fosse uma representação simbólica de todos os habitantes do País das Maravilhas, até mesmo as leis físicas são quebradas com sua presença, chegando ao ápice da irracionalidade. E o que encontramos chegando lá? O personagem mais racional de toda a trama! Percebam por esse diálogo:

ALICE: Obrigada, mas eu só queria saber que caminho tomar.
GATO: Isso depende do lugar onde quer ir.
ALICE: Realmente, não importa, desde que eu...
GATO: Se pensa assim não importa que caminho tomar.

Mais tarde, frente à recusa de Alice de encontrar o chapeleiro maluco, o gato retruca dizendo "todos somos malucos aqui. Eu sou maluco, você é maluca.". Aqui o paradoxo da racionalidade e da irracionalidade invade o mundo real, se inclusive Alice era maluco, então quem está fora também o é. Uma metáfora do mundo dos adultos no qual ela se aventurava!

O gato guia Alice ao encontro da Rainha de copas e logo após causa o incidente que move Alice até o tribunal. E, além de tudo, uma vez no tribunal irrita a rainha mais ainda para que ela voe no pescoço de Alice gritando seu clássico “COOOORTEM A CABEÇA!!!”. Essa pode ser mais uma metáfora. Antes de ir ao Mundo das Maravilhas Alice cantava para sua gata de estimação que seu mundo seria mágico e perfeito, porém o mundo onde ela foi para era longe disso! Fazendo ela chorar mias de uma vez e causando grande frustração e desespero. O gato é nada mais nada menos que o agente sádico que controla tudo isso, ele foi quem guiou Alice em suas desventuras. Ele atua como a realidade, nua e crua.

Alice sonhava com um mundo de bonecas e castelos, e o gato jogou na cara dela rugas e um marido gordo, beberrão e que torce para o Flamengo. Cara, não sou mulher, mas se fosse não iria querer um marido gordo beberrão e... que torce para o Flamengo.

Esse gato é realmente um sacana. Safado!

É isso


Num mundo sem pé nem cabeça, ou onde as pessoas andam com as cabeças no chão – o fim do buraco sem fundo-, Alice encontra uma lagarta que fuma narguilé, um gato que se teletransporta e brinca até com a rainha, rosas falantes e tudo mais o que você possa (não) imaginar! Isso é Alice, uma viagem de chá de cogumelo gratuita, ou pelo menos baratinha caso queria alugar.

E o melhor de tudo! Em menos de dois anos vai ter uma adaptação feita pelo Deus Tim Burton e seu Anjo Serafim favorito: Jonhy Depp. Pois é, o cara que poderia fazer a metade do elenco desse filme será o Chapeleiro Maluco.

A longa promete usar a tecnologia de captação de movimento utilizada em Beowulf, misturando animação 3D com atuação live action. Isso nas mãos do Tim deve dar um estrago maior do que uma serra elétrica nas mãos do Jason (que o Amer me perdoe). E você pode até conferir umas fotos aqui! Olha só, melhor que isso só mamar nas tetas da Jolie!

De brinde: Download do filme dublado em link direto.

That’s All, Folks!


10 comentários:

Lucas disse...

EXCELENTE artigo!

Chesire Cat sempre me lembra o quão pop ele se tornou sem que 90% das pessoas saibam o que ele significa.

E eu não sabia que o filme misturava personagens dos dois livros, isso foi novidade para mim.

Lee, D. disse...

Pois é, ele utiliza personagens tanto de "Alice no País das Maravilhas" como de "Alice Através do Espelho", onde ela atravessa um espelho (duh) e se vê em um tabuleiro de xadrez. Não li mais dizem os criticos que é um livro muito mais denso e adulto que o primeiro, feito após a separação de Carrol e Alice.

O que mais me chamou a atenção, mas não coloquei no artigo para não me alongar mais ainda, é que a cena que mais lembramos no filme NÃO existe no livro: A comemoração de desaniversário, isso foi criação dos produtores da Disney. E quer saber? Eu acho que acrescentou bem. Espero que o Depp também incorpora esse adendo.

Jasque disse...

Um feliz desaniversario, pra mim, sim sim \o/

Legal ter uma continuação ^^

Tem uma música de rock psicodélico com o título White Rabbit(clara alusão ao personagem do livro):
http://www.metrolyrics.com/white-rabbit-lyrics-jefferson-airplane.html

A letra mistura os efeitos de lsd com citações sobre o livro. Pra se sentir doidão msm xD

Ryan disse...

*puxa, prende, solta*

muito loko mano...

@_@

Wolfang disse...

eu ainda não li os livros D:

Makoto disse...

huahuahuauhah
q divertido XDD..
cara... alice eh mto louco @_@~~

naum gostei da alice do filme u.u/
ela eh velha =O
alice tem q ser criança ;-;

Kel disse...

Nunca li o segundo livro.
Sempre ensaiava de pegar na biblioteca mas nunca o fazia.
Seu artigo até me deu um pouquinho mais de coragem. XD

Ótimo, Lee.

Bárbara disse...

Muito bom!

Mas se formos levar em conta que o Dodgson e a Alice estavam no século XIX, no qual casamentos com crianças eram algo completamente normal, acho que podemos tirar a acusação de pedófilo de cima do rapaz. Apesar de que eu ainda o acho o maior canalha por fotografar as meninas e tal, enfim, é só uma observação.

O legal nisso tudo é ver como histórias infantis surgiram das taras de pessoas adultas. Haha.

Lee, D. disse...

A mãe de Alice posteriormente passou a proibir encontros entre os dois, então ou não era tãããão normal ou então ela não achava o seminarista (huh?) um bom partido.

CORBAFLU disse...

Se realmente esta história é baseada com fatos históricos, abordados com o caso de pedofelia, embora, não observada desta forma. Então, observa-se as partes citadas, como a largata(pênis), o mundo de ponta cabeça(o 69) e outras que derrepente foi por um processo de imaginação de uma criança que passou por um abuso sexual e que contou de outra forma, mas deixando sua marca na história.