quarta-feira, janeiro 07, 2009

Bakuman! Um excelente mangá

O que é Bakuman?

Na verdade ainda não sei o que é Bakuman. Digo, a palavra Bakuman ainda não teve seu sentido explicitado na série ou nas fontes que consultei antes de preparar este artigo. Se alguem tiver idéia me avise nos comments; enquanto isso, vamos ao que importa.

Essa é uma obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, sendo o primeiro um misterioso roteirista de mangás, que possui como únicas obras o best-seller Death Note e o próprio Bakuman.

Quando falamos de Japão e de mangás coisas estranhas são normais, nesse universo é possível ser um dos mangakás de maior sucesso da atualidade sem que ninguém (ou quase ninguém) saiba quem você é. Existem suspeitas que apontam Ohba como o pseudônimo de algum outro mangaká de sucesso, apenas especulações, até hoje.

Já Obata é um renomado desenhista presente em obras como Hikaro no Go e que esteve junto de Ohba em Death Note.

Quanto à história, Bakuman narra a trajetória de dois jovens do 9° ano que buscam um sonho: se tornarem mangakás. Sim, é isso mesmo. Este é um mangá que contará todas as histórias dos bastidores e idas e vindas de uma das profissões mais insanas desse mundo, a criação de mangás! A exigência, pressão, fracassos e tudo inerente a ela.

A história é centrada em Mashiro Moritaka e Takagi Akito.

Takagi Akito

Ele é o melhor aluno do Japão.

No Japão os estudos são algo levado, e muito, a sério. Talvez o mesmo devesse ocorrer por aqui, quem sabe com Cristovam Buarque, mas não votei nele também, whatever. O importante é que lá são feitas provas nacionais com os estudantes separados por níveis, e quem sai nas primeiras posições obtém muito prestígio.

Takagi é um deles, aliás, é o primeiro do Japão. Uma ferramenta já utilizada por Ohba em Death Note, onde Yagami Raito era o melhor aluno do Japão. Realmente, ele gosta de lidar com pessoas inteligentes, e suas histórias também o são.

Este, um dos protagonistas, é um estudante observador. Como dito por ele mesmo, senta na parte de trás da sala e, de lá, observa tudo o que ocorre. Mas Takagi também senta uma carteira atrás do mundo, e de lá vê como as engrenagens da sociedade funcionam. E ele não quer simplesmente ser jogado nessa máquina, quer ser popular, quer ser rico, quer ser famoso e reconhecido pelo seu talento; para tanto decidiu, espontâneamente, seguir por aquilo que ele ama: os mangás.

Mas não conseguirá ter sucesso nessa empreitada sozinho.

Mashiro Moritaka

Mashiro é um aluno mediano do Japão.

Com suas notas e sua "determinação" ele não conseguirá ser mais do que um assalariado meia-boca que tem um bom emprego, uma boa casa, uma boa família; uma boa vida.

E é para esse caminho que ele tende, arrastando os pés e empurrando a vida com a barriga ele será mais uma formiga irrelevante nesse mundo. Na verdade, seria, caso não tivesse conhecido Takagi.

Não foi Takagi que levou Mashiro ao mundo dos mangás, pelo contrário. Ele é um desenhista excepcional, premiado diversas vezes em todo país; além de sobrinho de um mangaká que conseguiu emplacar um sucesso que se tornou anime, seu tio era seu ídolo, ambos passavam horas no estúdio e Mashiro sonhava em ser mangaká. Porém, este mundo é um mundo de apostas, e seu tio perdeu a dele, morreu "de tanto trabalhar", segundo os pais. Mas, para Mashiro, por causa do desgosto e da angústia de ter fracassado na sua aposta de vida.

Takagi, porém, injetou ânimo no tedioso Mashiro, que já se conformava com a vida medíocre que o aguardava. Como? Azuki Miho. O amor platônico de Mashiro era o símbolo de seu fracasso, ele sequer conseguia conversar com ela e a via como um sonho inatingível, e pelo qual esforço algum seria eficaz.

As coisas mudam quando Takagi leva Mashiro para encontrá-la e, lá, eles selam um acordo para toda a vida. Hahahahaha, terão que ler para saber.

O Fundo da História

Bakuman usa um princípio já bastante batido como estopim para a sucessão de fatos que gerou esta história: o marasmo da vida humana.

Este é um ponto sobre o qual todo mundo já gastou alguns momentos da vida divagando, ou, parafrasenado o título do blog, devaneando. A partir do momento que os predecessores dos humanos ficaram de pé e perguntaram o que há além das montanhas essa questão foi levantada. Quando deixamos de ser irracionais e passamos a notar nossos atos como ações físicas relevantes o sentido de tudo, o sentido de nossa vida, passou a ser também questionado. Porque estar aqui e agora? Porque existir? Qual o sentido disto? Éramos animais que não sabiam porque sabiam, tinham conhecimento. A partir daí, para bem ou para o mal, surgiram as religiões que preencheram esse vazio; e quem não crê nelas deu seu próprio sentido à vida.

Ou não.

Em filmes como Os Produtores, Número 23 e O Procurado o marasmo da vida entediante de escritórios que nos tornam apenas pequenas engrenagens de uma máquina muito maior é substituído por profissões instigantes, aventureiras, prazerosas.

Diante da relutância de Mashiro em ceder ao mundo mangaká Takagi grita argumentando: "Você vai acabar em algum trabalho entediante de escritório.

É isso o que você quer da vida?" É esta a questão que está sendo levantada: seguir empurrando a vida com a barriga ou correr atrás de seus sonhos?

Muitos mangás usam esse argumento batido para iniciar a aventura. Acabamos relevando, porque o decorrer vale a pena. E, claro, a resposta de Mashiro é sim, ele vai buscar seus sonhos e tudo está inserido em um contexto: O Romance Juvenil. A realização de sua vida profissional é indispensável para que a sua vida amorosa também tenha sucesso! É meio enrolado, mas não vou soltar este spoiler. Haha.

Os traços

A obra de Obata se encaixa facilmente na trama a que esta sendo destinada. Em Hikaro no Go mostrava com perfeição o tom de descoberta e o humor da série com o jovem Hikaro se aventurando no mundo de um dos jogos mais tradicionais da Ásia.

Em Death Note as grande olheiras e os grandes olhos de L, assim como sua roupa desleixada e suas várias manias irracionais representavam bem sua personalidade, o mesmo ocorria com os demais personagens, desde o protagonista Yagami Raito até o secundário Ray Pembar. Em Bakuman o traço demonstra o díficil contraste entre a realidade da descrença inicial na vida de Mashiro e seu precoce amor pela bela Azuki Miho, assim como a insanidade genial de Takagi. E, bem, em um mangá que conta a história de mangakás é óbvio que vão existir momentos em que são retratados várias páginas de diversos mangás. E Obata conseguiu flutuar entre os estilos singulares de todos os personagens demonstrando naturalidade e personalidade em cada um deles.

Este não é exatamente um mainstream, um mangá de lutas com golpes que requerem habilidades malabaristícas de seus protagonistas, e sim algo mais cult, mais voltado aos conflitos internos dos participantes da trama. Para quem acha que é mais fácil lidar com essa situação, engana-se. ENGANA-SE, EU DIGO. Pois neste caso o desenhista precisa lutar para que o mangá não entre em marasmo, precisa manter a atratividade da obra mesmo em momentos de divagação e análise. E ainda encaixar satisfatoriamente os enormes quadros com muitas, muitas e muitas letras do tio Ohba numa boa. Hahaha.

É um excelente trabalho este feito por Obata em Bakuman. Obrigado por me lembrar, Jenny, bjsmeligue!

A vida de Mangaká

Sendo superficial para não estragar a leitura da série, Saiko e Shuujin (apelidos dos protagonistas) buscam, o mais rápido possível, emplacar um sucesso na Jump que se torne anime.

Calma, vamos lá. A Jump é a revista semanal que publica os mangás de maior sucesso da atualidade, tais como, atualmente, One Piece, Naruto, Bleach e o próprio Bakuman. É o ponto máximo onde todo mangaká incipiente sonha chegar. E a transformação em anime é a confirmação do sucesso da série.

Mas não é fácil, com as histórias de Takagi e os desenhos de Mashiro evoluindo aos poucos eles acumulam pequenos sucessos e outros fracassos. Mudam de escola, perdem em notas, sofrem com críticas e descrenças e ainda assim acumulam forças para chegar lá. Sim, sim, a superação e determinação intríseca aos mangás.

O legal, e o que diferencia esta série das demais, é o fato de mostrar os bastidores desta vida atribulada de mangaká. Todos os procedimentos para se iniciar uma carreira, a quem recorrer, qual estilo adotar, em quem confiar e tudo mais! Nesse meio dois personagens se destacam: Hattori, o editor deles; e Niizuma Eiji, o grande rival da dupla. Ambos carismáticos e densos, como não deixaria de ser nas mãos de Ohba.

Melhor Mangá de Todos os Tempos?

Não. Hehehe, calma lá.

Bakuman cai em alguns clichês meio que inevitáveis na produção mangaká atual, mas os contorna com uma história envolvente e cheia de curiosidades para os fãs deste estilo de produção cultural, o mangá! Os personagens possuem uma boa profundidade e conflitos interessantes, a ambientação da obra é atual e urbana e até mesmo secundários são cativantes.

A obra está em seu vigéssimo capítulo, não foi ainda lançada no Brasil. Entretanto ela pode ser encontrada nos scantrads AnimaRegia e StrawHat. A periodicidade é semanal com cerca de 20 páginas. Muitos preferem buscar obras já completas para ler em seu próprio tempo, mas nada supera acompanhar um verdadeiro fenômeno como esse do princípio. E ainda dá tempo! Leiam, vale realmente a pena para quem é fã de mangás.

That's all Folks!!!

7 comentários:

Thyago disse...

Agora que estou de férias, vou tomar vergonha na cara e ler este mangá :P

Jasque disse...

melhor mangá do momento na minha opinião

eles podiam lançar Dinheiro e inteligência(na vida real), nem que não seja com o Obata como desenhista.

Seria uma boa jogada.

Bebs disse...

Nossa, muito bom seu texto, me deu vontade de ler. Eu já tinha ouvido falar do mangá, mas não havia lido algo que me fizesse interessar. Também vou começar a ler agora nas férias! =)

E que chato não achar o significado, né? O ruim é que o título é escrito em katakana, se fosse escrito em kanji dava pra saber qual o significado de "baku" (pois há vários) pelo ideograma específico. Já o "man" acho que deve ser de homem em inglês mesmo, pois os significados de "man" em japonês ("dez mil" e "cheio", "completo") não teriam muito a ver. A não ser que seja parte de uma palavra, uma abreviação tipo o "mon" de Pokemon (Pocket Monsters). heheheh xD

Paco D. Lee disse...

Ah, primeiramente obrigado. XD

E depois desculpe.

Acabei de achar o significado da palavra, na Wikipedia Americana. Ehrr... às vezes esquecemos de procurar nos lugares mais óbvios. u_ú

"The name Bakuman comes from the two words "gambling" (博打 Bakuchi?) and "comic" (漫画 Manga?)"

Paco D. Lee disse...

Você estava certa na segunda teoria, de que era o diminuto de uma outra palavra. XD

Bebs disse...

Ahhh, imaginei que "baku" e "man" fossem derivados de outras palavras. Japonês tem mania de construir títulos assim. xD

Que bom que você achou (e no lugar mais óbvio que esquecemos de procurar! heheh). =)

Jaderson disse...

gostei, fiquei ainda mais estigado para ler do que já estava, mas vou esperar um pouco mais para começar a ler.