domingo, maio 03, 2009

A caverna de cada um

Francis Bacon, ou Chico Toicinho, filósofo do século XVI, propôs em suas obras uma reforma geral do conhecimento, na qual afirmava que os cientistas deveriam deixar de lado as falsas crenças e preconceitos para fornecerem ao homem resultados concretos de suas teorias, esses resultados deveriam ser obtidos através do empirismo, já que, para o nosso querido Toicinho, a experimentação é a principal fonte de conhecimentos. Em um de seus livros, o filósofo enumerou quatro "ídolos" (preconceitos, crenças...) dos quais o homem deveria se libertar, são eles, os Ídolos da Tribo, da Caverna, Ídolos do Foro e do Teatro.

Primeiro, analisaremos o que vem a ser um ídolo. No dicionário encontramos a seguinte definição:


Figura, estátua ou imagem que representa uma divindade e é objeto de culto; 2. pessoa a quem se atribui grande admiração, demasiado respeito ou excessivo afeto.


A partir dessa definição temos uma noção do que Bacon quis dizer ao propor o abandono dos ídolos. Ter uma admiração muito grande por algo, idolatrá-lo, faz com que se perca um pouco da sua individualidade. Quando se cultua alguém, acredita-se no que essa pessoa fala, não se questiona, apenas aceita e segue; isso acaba por impedir o raciocínio, o que traz uma “paralisação” do conhecimento, uma vez que só se descobre algo ou se muda algum conceito quando surge a dúvida.

O Ídolo da Tribo provém da própria natureza humana, ou seja, da concepção que temos de que existe uma regularidade, de que é de tal maneira, por exemplo, ao usarmos a frase, “O que tiver que ser, será”. Ao afirmar isso negamos o nosso poder de escolha, acreditamos em uma determinada crença e acabamos por sermos levados através dela, aceitando-a como verdadeira. Com isso cometemos erros, não evoluímos, permanecemos em um clico de confiar excessivamente em um conhecimento recebido. Acreditamos que manga com leite faz mal, por isso não misturamos os dois e ficamos nisso, sem experimentar o suco delicioso que sairia dessa mistura.

Já o segundo ídolo, o da Caverna, refere-se ao indivíduo em particular. Para Bacon, o nosso interior é como uma caverna (esse ídolo faz uma analogia à Alegoria da Caverna, de Platão), onde a luz não chega, ou seja, onde não tem vez conhecimento e a “existência” do outro. Nesse caso somos levados a refletir sobre o egoísmo, o individualismo que está presente em todo ser humano, em maior ou menor intensidade. Esse Ídolo está relacionado ao da Tribo por sofrer influência das crenças, preconceitos, todos eles nos são apresentados pela sociedade, pela Tribo da qual fazemos parte. Em nossas cavernas habitam nossos sonhos e aspirações, que acabam por influenciar na leitura que fazemos do que está a nossa volta.

O homem é um ser social, que necessita do contato com o outro, mas, para Bacon, esse contato acaba por ser um obstáculo ao conhecimento (não, ele não quer que nos isolemos, apenas que estejamos preparados para enfrentar as “armadilhas” que a vida em comunidade nos faz presenciar). Esse obstáculo acaba por nos ser imposto por nós mesmos, uma vez que damos significados errôneos a alguns termos da nossa sociedade, da nossa língua. Para os que não sabem, alguns estudiosos consideram a língua como uma forma de controle, já que estamos presos a ela para nos comunicar com quem está a nossa volta. Simplificando, o Ídolo do Foro surge quando acreditamos em uma determinada palavra, uma história, e acabamos por considerá-la como verdadeira, mesmo que sejam controversas, somos levados por sua fantasia e nisso não estimulamos o nosso intelecto.

Para finalizar, Bacon faz uma crítica ao seu “instrumento de trabalho”, ou seja, à Filosofia. Ao propor que nos livremos dos Ídolos do Teatro, Francis Bacon quer nos libertar dos falsos ensinamentos filosóficos, que, segundo ele, foram firmados ao longo da história sem serem comprovados, pois não tiveram uma demonstração segura. Mais ou menos no sentido da Geração Espontânea que todo mundo estuda em Biologia. Esses ídolos são classificados em três grupos;


Os sofísticos (baseados em raciocínios falsos: Aristóteles), os empíricos (baseados em generalizações precipitadas e ousadas: alquimistas) e os supersticiosos (baseados na reverência pela mera autoridade e tradição: pitagorismo, platonismo).


Dessa forma, percebemos que esses Ídolos se cruzam, que um está sempre relacionado ao outro e que os quatro estão presentes em nosso dia-a-dia. É o lugar onde vivemos e nossas tradições, o nosso egoísmo em um mundo cada vez mais individualista, o nosso medo de enfrentar obstáculos e de questionar, que acaba nos levando a seguir o pensamento do outro, a opinião do outro, que usa o poder da linguagem para nos dominar, além de sermos levados por idéias sem experimentação, sem nenhum fundamento, de quem tem a “função” de pensar nos meios e de questionar.

Proponho que passemos a ter um pensamento questionador, que não nos deixemos levar por opiniões com as quais não concordamos. Bem, terminarei com uma citação, acho que alguns já devem ter visto em um certo site... haha:


Os tolos e os fanáticos estão sempre seguros de si, mas os sábios são cheios de dúvidas.

2 comentários:

Diego disse...

adorei
ótimo texto
concordo plena mente
falto você sugerir alguns livros XD

abraços XD

nitzombies disse...

caramba... excelente texto, parabéns ae!!