sexta-feira, junho 12, 2009

Logan: Cheirando a Ferro Quente e Flores Mortas

Na onda de lançamentos especiais alavancados pelo filme do Wolverine, chegou às bancas uma edição única intitulada Wolverine: Logan. Com número de páginas e preço menor – porém grande qualidade editorial -, a revista traz, além de um brinde bem bacana, a minissérie Logan completa, em suas três partes, assinadas por dois nomes de bastante destaque recente no mercado de quadrinhos, e que podem ser facilmente colocados entre os maiores da indústria atual: Brian K. Vaughan e Eduardo Risso. Sem mais delongas, vejamos o que a promissora história reserva ao canadense número um da Marvel.

Tudo começa com Logan de volta ao Japão, adentrando um templo isolado em um dia de neve. Em um monólogo, ele fala um pouco sobre si. Reclamando de sua condição mutante que o impede de se ferir gravemente, diz que já viveu tempo equivalente há algumas vidas, mas teve sorte de esquecer grande parte – sorte que mudou quando todas essas lembranças voltaram de uma só vez. E são exatamente suas memórias recuperadas que o levam até ali. Já fora muitas coisas: criança doente, máquina de matar, “herói”... mas este é o lugar no qual se tornou homem. Ele ainda explica que fez muitos inimigos durante a vida, só que nenhum deles tira seu sono à noite. Esta é uma tarefa das mulheres de que se aproximou, aquelas pelas quais cometeu a burrada de se apaixonar. O canadense explica que pode se recuperar de praticamente tudo, exceto de ter seu coração destroçado.

Enquanto pensava, Logan se dirigiu a um inimigo oculto, dizendo que sua espera de mais de sessenta anos acabou, e este logo se revela – uma espécie de corpo decomposto em chamas -, e o ataca.

Nisso, voltamos nossa atenção para a época da Segunda Guerra Mundial, onde nosso herói acorda em uma cela do exército japonês, acompanhado pelo desconfiado Tenente Warren, único sobrevivente de um esquadrão norte-americano. Guardas se aproximam, comentando que aqueles dois prisioneiros podem ser “kaiju”, segundo um de seus doutores. Quando estes abrem a porta do cativeiro, são imediatamente atacados por Logan, que não revela suas habilidades especiais ao companheiro de cela. Este acaba o acompanhando na briga e os dois escapam da prisão. Enquanto continuam sua fuga em meio há uma floresta, Warren demonstra seu ódio pelo país inimigo, chegando a dizer que considera os “japas” menos que humanos.

Os soldados são surpreendidos por uma mulher no caminho, que se assusta com a situação – assim como Logan se espanta por não ter notado sua aproximação com seus sentidos aguçados. Warren quer matá-la, chegando a afirmar que ela é uma das pescadoras que havia denunciado seu esquadrão após resgatá-los do mar. Mas o homem que viria a se tornar Wolverine explica que essa idéia é absurda, pois esta mulher é uma camponesa, e uma simples civil. O atrito de opiniões termina com o tenente sob a mira da baioneta do baixinho, que diz ser hora de seguirem caminhos diferentes.


Enquanto Warren se afasta – apenas para espionar os dois logo em seguida -, ela agradece um desconcertado Logan e o oferece abrigo, explicando que ele não poderá sair dali antes do amanhecer, sendo melhor esperar a próxima noite. Recusando, ele explica que, se forem pegos, ambos morrem. Ela apenas sorri de volta, e ele não sabe se é porque não o entendeu ou porque não liga; o que ele sabe é que, naquele momento, já pertencia a ela.

Em sua casa, ela revela se chamar Atsuko, oferece-lhe a espada de seu pai kamikaze e fala um pouco de sua vida, explicando que os objetos memoriais dele são tudo que resta de sua família. Ela diz que o ajudou porque está cansada da guerra, e ele é a única pessoa que encontrara desde seu início que parece estar em paz. Atsuko se despe, pedindo a Logan que faça algo por ela, em troca. Quando o canadense questiona se está no Paraíso, ela explica que não, trata-se de Hiroshima; e esta palavra soa para a ele como a mais bonita que ouvira até ali.


De volta ao presente, Wolverine pensa no fato de que as pessoas não morrem mais como antigamente, sempre voltando das cinzas cedo ou tarde. Continuando a luta com seu misterioso inimigo, ele revela que foi ali mesmo onde está, em Hiroshima, que soube da existência de fantasmas. Após o holocausto nuclear, as sombras dos mortos continuavam por perto, incapazes de abandonar este mundo. Logan conclui que, se quem morre quer tanto voltar para esta vida de dor e sofrimento, o que vem depois dela é bem pior. É o que diz a si mesmo, já que não é sortudo o bastante para morrer fácil como a maioria... ou será que é?

Na manhã seguinte a quando conheceu Atsuko, Logan se desculpa, dizendo ser o melhor em muita coisa, mas não no que fizeram ali. Explica que não achava que tinha chance com mulheres como ela, tendo sempre sido considerado um animal peludo e fedido. Surpresa com a fragilidade emocional daquele experiente soldado, ela o conforta de tal forma que consegue compará-lo a uma boneca de porcelana sem soar ofensiva. Ele apenas continua se desculpando, e logo, é atingido na cabeça por uma bala.

O autor do tiro é Warren, que acaba lutando com Atsuko – ambos acreditando na morte do baixinho. Após muita resistência, a mulher acaba sucumbindo. Tão cedo quanto seu corpo tomba, o de Logan se levanta, querendo vingança. Ao ser ferido mortalmente, o tenente explica que é, como o baixinho, um deus, algo além da humanidade. Ele também é imbatível, só que suas feridas não cicatrizam como as de Logan. Mas, por outro lado, não sente dor.


A briga só é interrompida quando os dois avistam um avião aliado, que poderia tirá-los dali. Mas, antes de qualquer coisa, a aeronave lança sua carga: Trata-se do histórico ataque nuclear às cidades de Hiroshima e Nagasaki de agosto de 1945.

Enquanto vemos Logan se arrastar pelas cinzas da catástrofe, ele explica em um monólogo presente que mutantes como ele recebem várias denominações, “Filhos do Átomo” entre elas. Mas ele é um daqueles que nasceu antes de tal incidente. A bomba atômica não é sua mãe, mas a garota que fez dele um homem.


No fim das contas, é a queda que vem depois que te derrota. Toda pessoa normal pode suportar algumas bombas em sua vida, mas o que mata é a queda que vem depois, quando a montanha de maus resultados de seus erros cai sobre você. E você só nota o veneno quando já está se afogando nele. É nisso que o Logan do presente pensa enquanto continua sua luta, com aquele que agora sabemos ser Warren. Presumindo que o ex-tenente já sofreu quase o bastante ao assombrar aquela terra por tanto tempo, Wolverine não quer matá-lo; e é por isso que perderá esta guerra, segundo seu inimigo.

Em flashback, Logan relembra seus momentos com Atsuko, onde a convida para fugir com ele dali. Ela recusa, alegando que o mundo inteiro está em guerra e não haveria lugar para eles. Ainda diz se considerar sortuda por nascer em Hiroshima, e pretende morrer ali, dizendo que viverá com Logan em seu coração. Ele se lembra de cada detalhe da antiga amada, assim como dos detalhes da tragédia nuclear. Lembra-se de tudo, assim como qualquer um à beira da morte.

É quando vemos que, em sua última investida, Warren arrancara o coração do canadense. O vilão come o órgão e, assim, recupera a aparência original de seu corpo. Nem ele entende o porquê da morte de Logan lhe causar tal efeito, mas ele sempre soubera que causaria. Só que suas conclusões estão precipitadas: Wolverine ainda vive, ao menos por enquanto, e logo isso é algo que não pode ser dito do apavorado – e decapitado - ex-tenente. No final, ambos tombam.


Logan acorda em um belo campo, onde encontra Atsuko. Mas ela explica que não, ele não morreu, e o que falta em seu corpo logo será restaurado. Seu desejo de viver ao lado dela ainda não pode ser realizado. Mas, como ele vingou seu espírito, ela pode lhe dar um certo alívio: Atsuko se oferece para remover suas dolorosas memórias de Hiroshima permanentemente. Seus momentos com ela desapareceriam, mas a dor de tê-la perdido também. É ele quem decide, e ela pergunta o que vai ser.


A visão desaparece aos poucos e Logan acorda na floresta. Ele apenas se levanta e contempla o sol nascente.

E é este o fim da história. Talvez nunca saibamos qual foi a decisão de Logan, ou mesmo se o contato espiritual foi real. Mas o que eu sei é que não esquecerei fácil desta minissérie, que se mostrou de altíssimo nível, ou de Atsuko que, em tão pouco tempo, fez o bastante para ser considerada, por mim, uma das melhores coadjuvantes e amantes que Wolverine já teve.

*Título do artigo baseado na descrição que Logan faz de como cheira um coração arrancado, nesta mesma história.

5 comentários:

Paco D. Lee disse...

Nooosa, bem interessante a história. E parabéns pela narrativa, JC, ficou muito boa mesmo.

Logan sendo cozinhado pela bomba atômica, encontrando outro imortal e broxando com uma japa. Não tem preço.

ronaldo disse...

Caraca!!
Boa mesmo Julio!!
Esse solzão no final ainda puta tristeza quase chori, eu acoq ele fez sim o contrato!!!
Parabéns

Filipe disse...

Aaah cara.. eu sei q não tem nada a ver com o assunto em questão mas o midouban não fala mas sobre anime no Cidadão kang não?

Paco D. Lee disse...

Ele passou o Dia dos Namorados na casa da patroa. Não deu né. XD

But, he will be back.

(errei, Thyago?)

Jl'Cr, O Skrull disse...

PORRA! Vi que tinha 4 comentários aqui, e já tava comemorando de paul duro! MAS, desvirtuaram o bagulho! ¬¬