segunda-feira, setembro 07, 2009

Sete de Setembro: Independência do futebol nacional?

Hoje comemoramos no Brasil uma data simbólica, a independência de nosso país frente a metrópole portuguesa. É lógico que, para quem tem uma boa base de estudos e não é ufanista, o Brasil não deixou de ser colônia nessa data e tudo não passa realmente de simbolismo. Mas um fato ainda pode ser comemorado (com ressalvas, não as esqueçam!): o futebol brasileiro está cada vez menos submisso ao futebol europeu. Nossos melhores jogadores ainda estão lá, mas o fluxo diminuiu e o caminho inverso não poderia estar mais forte.

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No último dia primeiro de Setembro a janela de transferências dos clubes europeus foi fechada, os campeonatos de lá vão começar e eles não podem mais contratar ninguém. Durante todo o mês de Agosto os brasileiros ficaram com o coração na mão, receosos de perder seus craques – e muitos foram. Só que o saldo ainda foi positivo: os clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro perderam 26 jogadores e contrataram outros 37, a diferença pode formar um time completo.

Foram-se os selecionáveis André Santos (do Corinthians para o Fenerbahce/TUR), Ramires (do Cruzeiro para o Benfica/POR) e Nilmar (do Inter para o Villareal/ESP) e vieram ex-selecionáveis como Gilberto (Cruzeiro), Fernandão (Goiás) e Vágner Love (Palmeiras). Isso sem contar outras conquistas da nossa terra, que conseguiu repatriar Ronaldo (Corinthians) e Adriano (Flamengo) além de segurar durante essa janela nomes como Diego Souza (Palmeiras), Kléber (Cruzeiro), Diego Tardelli (Atlético Mineiro) e Miranda (São Paulo); este último tendo recebido uma oferta de 10 milhões de euros.

Embora em muito se deva esse menor fluxo de jogadores à crise mundial que assolou o mundo capitalista nos últimos meses, da qual os clubes de futebol não são imunes, ainda devemos comemorar os números, pois são uma prova de que a onda de profissionalização que vem tomando conta do futebol brasileiro dá resultados, sim. Nos últimos cinco anos, apesar dos fracassos em finais, os brasileiros têm chegado em peso na fase decisiva da Copa Libertadores (cinco vezes na final); o campeonato nacional está competitivo e com um bom nível técnico; o público está comparecendo. Mas nem tudo são flores.

Muitos ainda acreditam que esse ano pode ter sido uma exceção, ou até mesmo que o 'superávit' numérico do nosso mercado não representou um 'superávit' qualitativo. E, dessa forma, essa janela também foi uma oportunidade para o acirramento de uma antiga discussão de boteco – a adaptação do nosso calendário ao europeu. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, encaminhou uma proposta ao presidente Lula de fazer com que o campeonato nacional se estenda de Agosto a Junho, com férias de Junho a Julho. É algo questionável, percebam que no hemisfério sul esse é o período de verão, o que no Brasil ocorre em Dezembro e Janeiro, daí nosso estilo de calendário.

Mudanças realmente são necessárias, não há como concorrer competitivamente com um mercado futebolístico como o europeu. Apesar de soluções paliativas como a adequação de calendário serem benéficas para manter o nível dos campeonato brasileiro durante toda sua extensão, é necessário pensar racionalmente nas conseqüências que isso pode causar – como a redução dos campeonatos estaduais e seu conseqüente baque aos clubes pequenos. Um país de dimensões continentais como o Brasil não deve adotar medidas igualitárias a outros como Inglaterra e Espanha, menores. Isso pode ser notado na dificuldade de times da série D de se deslocar para realizar suas partidas (só no RN foram quatro desistências antes do Alecrim aceitar o desafio).

O futebol, como agente econômico e social, está em constante dinâmica, é natural. O Brasil é o grande berçário desse grande mercado e deve proteger seus produtos, mas sem prejudicar a estrutura do esporte no país. As melhorias são visíveis, vamos esperar que continuem!

That's all, folks!!!

3 comentários:

Gusta disse...

Esse ano a situação realmente está muito boa pro futebol brasileiro; e, coincidentemente, a seleção também tá jogando o fino da bola. :D

Pra isso melhorar, eu sou a favor da adequação do futebol brasileiro ao calendário europeu. Os estaduais poderiam ser realizados, por exemplo, no meio da semana, sem problema nenhum. E aí todo mundo sairia lucrando com isso.

Ou melhor, todo mundo, menos os europeus. Stupid bastards.

Gabi disse...

O legal também é que os jogadores que voltaram, não foram jogadores em fim de carreira, voltaram alguns craques ainda em evidencia como Vagner Love. Creio que nos próximos anos será ainda melhor ^^

Jaderson disse...

Ainda não temos como superar os salarios pagos pelos jogadores em topo de carreira, infelizmente. Mas é muito bom os clubes brasileiros estarem conseguindo pagar salarios aceitaveis o suficiente para os profissionais preferirem voltar para o Brasil. Fazem isso apenas poruqe querem viver no Brasi, fazendo isso eles recebem mesmo, recusam propostas maiores do exterior, mas ainda assim é bom.