quinta-feira, agosto 20, 2009

O terror nada discreto de Sam Raimi

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Estreou nos últimos dias Arrasta-me Para o Inferno (Drag me to Hell, 2009). Um blockbuster com caráter de Terror B, o que não surpreende, haja visto o nome que assina a película: Sam Raimi. Para quem o associa a uma das mais bem sucedidas seqüências de super-herói, Homem Aranha, saiba que ele começou muito antes disso.


Sam Raimi pintou no cenário mundial com A Morte do Demônio (Evil Dead, 1981) quando tinha apenas 21 anos. O seu estilo ganhou notoriedade com o tempo por, mesmo com uma produção de baixo orçamento, apresentar singularidade, carisma e, principalmente, nenhum pudor em apresentar coisas absolutamente repugnantes.

Com o sucesso do primeiro filme vieram seqüências, em 1987 e 1993. E elas mantiveram esse modo de dirigir de Raimi que alia o humor ao horror – mesmo com acréscimos em orçamento ele continuou a utilizar efeitos grotescos em cenas repulsivas, o que gerava essa aliança inesperada de sensações. Muitas cenas, inclusive em Arrasta-me para o Inferno, são seqüências de embrulhar o estômago, com abuso de elementos pútrefos, gosmentos, repulsivos – mas empregados em situações tão constrangedoras e inesperadas que acabam gerando esse humor. O humor pelo esdrúxulo.

Por isso o título da postagem. Raimi consegue fazer um terror direto, sem rodeios, não é de ficar mostrando sombras, de ficar elevando a trilha sonora enquanto o personagem se aproxima de um armário de onde sai um gatinho. Quer dizer, ele até faz isso uma vez ou outra, não dá para ter um cinema de terror comercial sem isso; mas ele consegue dar um clima muito mais survival aos seus filmes do quê suspense. Nada contra o excelente cinema de terror asiático, do qual inclusive já comentei aqui no blog, mas ver o bom e velho Raimi jogar velhas loucas em cima da protagonista é sempre gratificante.

Aliás, esse é mais um ponto interessante. A maquiagem desses filmes é sempre excepcional também, desde o crássico A Morte do Demônio onde as personagens abusavam do pó-de-arroz até o recente Arrasta-me Para o Inferno, onde a caracterização da antagonista, que inclusive esteve presente em várias imagens de divulgação do filme, uma velha bruxa cigana cega de um olho e com grampos cravejados no rosto. Nesse ponto também podemos destacar as possessões, que sempre são bem expressivas, com os contornos do rosto bastante destacados e um pouco de umbandismo, não sei, os possessos sempre adquirem um humor ácido o suficiente para o Stewie ter pena de judeus.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas cabe um alerta aqui: Arrasta-me Para o Inferno, bem como os demais filmes de terror de Sam Raimi, são mais bem aproveitados se você for um fã do gênero. Quem não é, e eu presenciei protestos na sala de exibição, pode considerar todo aquele exagero como apelação do diretor para tentar arrancar sustos da platéia desesperadamente. Ou todas aquelas cenas nojentas como um modo de dizer que você tem estômago fraco, um desafio: Tente não pôr as mãos no rosto!

Não é o caso. Isso não passa de Terror B, ou Trash. Um estilo que se desenvolveu em produções de baixo orçamento e levou suas características aos blockbusters: “Defeitos Especiais”, personagens passando por situações constrangedoras, ou até improváveis, humor seco e ácido. É um terror em excesso. Onde pessoas comuns se vêem diante de figuras absolutamente grotescas, amorfas, inusitadas.

É como ver Tom e Jerry, mas sempre que Jerry acertasse um tiro em Tom voariam vísceras, vermes e muito ketchup em sua cara. Ah, claro, Tom deveria estar possuído por um demônio felino do Egito Antigo, que gosta de andar pelas paredes e pelo teto.

2 comentários:

Bárbara disse...

Esse é o tipo de filme que eu não aguentaria assistir. Dou uma de "durona" em filmes com um terror mais voltado pro suspense, mas quando tem imagens nojentas e feias assim, eu fecho os olhos mesmo! =S

Edo disse...

Lee, quando vc me falou desse filme eu não associei o nome dele com Sam Raimi! XD

Se realmente seguir a linha de Evil Dead, vou pro cinema assistir isso hoje mesmo! hahahaha